Ser otismista numa família de “corvos”

Se o leitor é um sobrevivente de uma família de “corvos” aprendeu a lutar pelos seus sonhos

Portugal é do signo Peixes já dizia o grande Escritor e Astrólogo Fernando Pessoa, assim como outros astrólogos portugueses de reconhecida experiência. Isso significa que os portugueses são um povo com uma sensibilidade especial, naturalmente emotivos e que sentem normalmente cumplicidade com a dor alheia.

Isso pode trazer-lhes indefinição na sua personalidade, sentindo as suas dores, as dos outros e, no final, não sabem exatamente de onde surge essa angústia, a ansiedade, a preocupação e até o sofrimento. Não sabem se a dor é sua ou se sofrem pela dor do outro. Vivenciam medos e inseguranças e tendem a passar essa energia para as pessoas à sua volta.

Talvez por esse motivo ou não, sinto que a família portuguesa do antigamente e, ainda muitas atuais, poderão ter sido “castradoras” dos sonhos dos seus filhos. Revelando constantemente receios acerca do futuro de qualquer membro da família, aprisionando-os e aprisionando-se no medo de tentar algo diferente, do dia de amanhã, de perder a “segurança”…se é que ela existiu algum dia.

Alguns membros destas famílias conseguiram libertar-se quase como as designadas “ovelhas negras” ou “ovelhas desgrenhadas” e perseguiram os seus sonhos. Outros mantiveram-se, dentro dessa energia, tomando as decisões e o caminho que é tradicionalmente suposto, alargando assim, os membros ativos desta família.

Se o leitor teve a oportunidade de nascer numa família de “corvos” significa que poderá ter começado a sua infância com amor, rodeado de familiares preocupados com a sua necessidade. Quando tinha 37ºC de febre, estava “cheio de febre” e corriam para as Urgências mais próximas, assegurando a sua sobrevivência. Se surgiam meia dúzia de borbulhas já se fazia adivinhar que teria sido vítima de uma epidemia. Se franzia um pouco os olhos rapidamente lhe providenciavam uma consulta de oftalmologia. E ai do médico que não receitasse uns óculos, pois se a criança franzia os olhos, só podia ser porque precisava de óculos e, se o médico considerava que não era necessário, era porque não era competente!

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