O que deve ter em conta quando contratar seguros de saúde para viagens

Umas férias de sonho podem facilmente converter-se em dias de pesadelo. Antes de partir, siga os conselhos de Jorge Atouguia, especialista em medicina do viajante.

Viajar é pensar em coisas boas, nunca em coisas más. E que coisas más podem acontecer? A resposta a esta questão tem duas vertentes. Por um lado, há inúmeros problemas que poderão surgir durante uma viagem, por mais curta que seja, desde a perda da bagagem a um traumatismo grave. Por outro lado, a probabilidade desses problemas surgirem é muito baixa. Contudo, prevenir é essencial para uma viagem descansada.

Os problemas mais comuns em viagem

Há duas estratégias para lidar com problemas e devem ser complementares. A primeira é prevenir, identificando riscos e evitando-os, como é o caso das doenças transmissíveis, que podem ser travadas com recurso a vacinas e/ou medicação. A segunda, para resolver situações inesperadas, passa pelo seguro de viagem. Este tipo de seguro tenta garantir que tudo se resolve da melhor maneira possível.

Em países como a África do Sul e a Rússia, por exemplo, o seguro é obrigatório para quem sai do país. Para países europeus que assinaram o Tratado de Schengen é exigido um valor mínimo de seguro para a entrada no país. O seguro de viagem é fundamental para viagens frequentes ou esporádicas e deve fazer parte da cultura do viajante. Muitos dos pacotes contratados já incluem uma proteção deste tipo.

Como escolher

A escolha de um seguro passa pelo planeamento da viagem. Estes são pormenores a que deve estar atento:

- Deve analisar fatores como os locais a visitar, tempo de estadia, alojamento, meios de deslocação, segurança e serviços de saúde.

- Quanto mais planeada estiver a sua viagem, mais fácil será identificar os riscos possíveis e o seguro mais adequado a eles.

- Analise cuidadosamente as ofertas existentes no mercado, para perceber qual responde às suas necessidades.

- Pode ainda consultar um mediador especializado que estude as apólices, aconselhe capitais adequados a cada pessoa e viagem e alerte para as exclusões contratuais (as letras pequeninas que ninguém lê).

Os diferentes tipos de proteção

A primeira cobertura em que pensamos é a das despesas médicas. Os riscos de doença ou acidente traumático são mais frequentes nos países em vias de desenvolvimento, onde os serviços de saúde poderão ter problemas de disponibilidade e eficácia, incluindo a qualidade dos medicamentos e da desinfeção de instrumentos médico-cirúrgicos. Fazer uma transfusão num país onde não há garantias de qualidade do sangue pode ser um sério problema.

Nos países desenvolvidos, por exemplo, o preço dos atos médicos pode ser elevadíssimo, chegando a atingir valores incomportáveis para a maioria dos portugueses. O seguro de viagem cobre também os riscos com os meios de transporte utilizados, extravio ou roubo de bagagem e problemas com alojamento. Outros seguros de viagem podem cobrir várias situações, entre elas a perda de documentos importantes como o passaporte.

Há situações que não são incluídas nos seguros de viagem padronizados, nomeadamente desportos específicos, como é o caso do esqui, da escalada e do montanhismo, só para citar alguns exemplos. A lista inclui ainda viagens de aventura, deslocações para zonas de guerra ou territórios de instabilidade social. Nestes casos, procure um plano de cobertura mais específico, que cubra todas as suas necessidades eventuais.

Texto: Jorge Atouguia (infecciologista)

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