Cérebro das pessoas obsessivas mantém conetividade atípica mesmo em repouso

Estudo coordenado pela Universidade do Minho acaba de ser publicado na prestigiada revista “Translational Psychiatry”, do grupo Nature.
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Uma equipa liderada pelo Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho (UM) mostrou pela primeira vez que o cérebro de doentes com Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) apresenta padrões atípicos de conetividade mesmo quando está a descansar ou a dormir e que estes padrões se relacionam com alterações da própria estrutura cerebral.

O estudo acaba de ser divulgado na revista "Translational Psychiatry", do grupo Nature, podendo abrir pistas para o desenvolvimento de abordagens terapêuticas mais eficientes. Esta doença afeta 4,4% da população portuguesa.

Com recurso a uma abordagem baseada em ressonância magnética funcional, o grupo de trabalho analisou a atividade cerebral de doentes com POC e de indivíduos saudáveis, enquanto estes se encontravam num estado de repouso.

Incapacidade de regular a ansiedade

Concluiu-se que as pessoas obsessivo-compulsivas têm uma menor sincronia cerebral em duas sub-redes principais: a primeira formada por regiões do córtice orbitofrontal, polos temporais e córtice cingulado anterior; a segunda constituída por regiões dos córtices sensoriomotor e occipital. "Esta configuração parece estar associada a um processamento emocional alterado nestes doentes, o que conduz a uma incapacidade de regular e diminuir a ansiedade provocada pelos pensamentos obsessivos", explica Pedro Morgado, responsável pelo estudo e professor da Escola de Medicina da UMinho.

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