Uso prolongado do anticoncepcional pode provocar diabetes nas mulheres, afirma médico Júlio Rodrigues

O uso prolongado do anticoncecional pode provocar nas mulheres doenças como diabetes, de tireoide, de pâncreas e renal alertou hoje, o administrador executivo do Instituo Nacional da Saúde Pública (INSP).
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O médico Júlio Rodrigues fez esse apelo na cerimónia de abertura do seminário sobre “Mulheres e diabetes: nosso direito a um futuro saudável”, na Cidade da Praia, no âmbito da comemoração do Dia Mundial, dedicado este ano às mulheres como chamada de atenção para o seu direito a um futuro saudável.

O desafio, segundo explicou o administrador executivo do INSP, focaliza-se nas mulheres, pois, são elas quem mais se apresentam no tratamento e as mais atingidas pela doença, pelo menos em Cabo Verde.

Na mulher, indicou, a doença atinge contornos particularmente importantes, tendo em conta que ela é afetada no parto pela diabetes gestacional, um tipo de risco que vem aumentado e que, mais tarde, pode sofrer de diabetes tipo 2.

“Por este motivo, consideramos que hoje é um dia importante, pelo que o nosso apelo vai no sentido de mudarmos os nossos hábitos, pois, com mudanças, pouco a pouco podemos conseguir mudar os números e a situação da doença no país”, disse.

Em Cabo Verde, Júlio Rodrigues lembrou, que dados da mortalidade, num universo de 18 patologias do relatório das estatísticas, indicam que doenças endógenas e nutricionais ocupam a 10ª posição, sendo que dentro desse grupo está a diabetes.

No entanto, sublinhou, quando olhamos a complicação de diabetes dentro desse grupo vamos dar conta dos custos que este trás para a saúde, com tratamentos e outros.

A diabetes, que está atualmente associada ao sedentarismo e à obesidade, mostra conforme Júlio Rodrigues, que o problema é mais de teor nutricional, razão porque apela ao seguimento de regras baseado numa alimentação saudável para dar combate, particularmente, as do tipo II que pode ser modificado.

“A diabetes trata-se e, para isso, devemos controlar os carboidratos e completar a nossa alimentação em pequenas proporções de legumes, frutas e caroidratos, carne e peixe”, afirmou.

Já a coordenadora nacional do Programa de Prevenção da Diabetes (PPD), Emília Monteiro, que traçou uma panorâmica da doença a nível nacional, lembrou que, há dez anos, o sector de saúde teve de mudar o atendimento logo que começou a aparecer como primeira causa da morte as doenças crónicas, ou seja, doenças não transmissíveis.

Com esta situação, explicou, apresentou-se um desafio ao sistema nacional que tentou adaptar-se às novas realidades direcionando os serviços para um atendimento de doenças mais tipo agudas, tendo o sistema de saúde investido, ao máximo, na atenção primária, onde se deve tratar as doenças cronicas, trabalhar na prevenção e promoção da saúde.

Na mesma época, para responder a situação, disse, foi criado um programa, que é representado em todas as estruturas por um ponto focal.

“O desafio está cada vez mais difícil de cumprir tendo em conta que a cada dia o número nacional de diabéticos aumenta. Apesar de ainda, basearmos no inquérito de 2007, que indica um índice de hiperglicemia de 12 por cento (%), dados recolhidos a nível nacional nos centros de saúde apontam apenas 2% da população a procurar os serviços da saúde para tratamento”, enfatizou.

Neste âmbito a responsável pelo PPD recomendou as entidades responsáveis a realização de um estudo para a atualização dos dados sobre a doença a nível nacional.

No seminário, dedicado hoje as mulheres, dissecou-se também, sobre a dietoterapia aplicada à diabetes gestacional, a importância da educação na prevenção e controle e na questão nutricional.

No Dia Mundial da Diabetes, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a prevalência da diabetes na população adulta da Região Africana aumentou de 3,1% em 1980 para 7% em 2014.

A OMS estima ainda, que a hiperglicemia provoque 5% das mortes nas mulheres e 3,9% nos homens e admite que o excesso de peso e a obesidade são fatores de risco da diabetes, das doenças cardiovasculares e de alguns tipos de cancro numa fase mais tardia da vida.

“A prevalência dos fatores de risco da diabetes e de outras doenças não transmissíveis é mais elevada nas mulheres do que nos homens. Em 2014, estimou-se que 38,6% das mulheres acima dos 18 anos de idade tinham excesso de peso por comparação com 22,9% dos homens”, disse na sua mensagem a diretora regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti.

A nível mundial ocorreu, segundo a OMS, um aumento drástico da obesidade nas crianças e nos adolescentes entre os 5 e os 19 anos de idade, passando de 11 milhões em 1975 para os 124 milhões em 2016. Em África, o número de crianças que tem excesso ou é obesa praticamente duplicou desde 1990, aumentando de 5,4 milhões para 10,3 milhões.

Na sua mensagem alusiva à data, Matshidiso Moeti incentiva os governos a empregar “medidas corajosas” para garantir que as mulheres e as meninas tenham acesso a serviços de rastreio da diabetes e a cuidados adequados, incluindo medicação e informação acerca da doença.

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