Tabaco é um dos fatores de risco mais maléficos nas doenças crónicas em Cabo Verde, disse ministro

O tabaco é um dos fatores de risco mais maléficos para as principais doenças crónicas e responsáveis pela maior parte das causas da morbilidade e mortalidade em Cabo Verde, disse hoje o ministro da Saúde.
créditos: Inforpress

Arlindo do Rosário, que falava na cerimónia de lançamento do Projeto FCTC 2030 (Convenção Quadro da OMS para o Controle do Tabaco (OMS FCTC) Cabo Verde 2017/ 2021 e Workshop de Avaliação em relação às Necessidades de Implementação da Convenção Quadro contra o Tabaco (CQCT), realçou ainda, a necessidade de se revisar a legislação datada de 1995.

“No que respeita à lei, o Governo tem de trabalhar a legislação datada de 1995, anterior à Convenção Quadro, e que na altura proibia fumos em locais fechado. Atualmente, é mais que evidente que devemos mudar e melhorar a fiscalização e sua aplicação”, afirmou.

Além desta necessidade, indicou que se o Governo cabo-verdiano quiser cumprir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável deve ter a luta contra o tabaco como prioridade na saúde pública, social e económica.

Tudo isso, sustentou o ministro da Saúde, porque dados de um estudo realizado em 2007 apontavam uma taxa de prevalência à volta de 9,9%, enquanto que um estudo de 2002 da ONUDC indicava uma taxa de 7% de iniciantes que se situava em crianças com idade compreendida entre os 6 e 12 anos e 53% em jovens com idade inferior ou igual a 18 anos.

Perante estas contestações, o governante defende a necessidade de se realizar um estudo para atualizar os dados a nível nacional e ações, por forma não só diminuir as prevalências, mas sobretudo, a sua iniciação em idades bastante jovens.

“Uma ação concertada da luta contra o tabagismo poderá permitir que o país consiga reduzir a importância que esses fatores de risco têm na saúde, pois, a convenção abarca aspectos em relação à demanda, oferta, comunicação e comercialização, que vão ser trabalhados para que seja mais eficaz e exequível”, asseverou.

Para o representante da Organização Mundial da Saúde, Mariano Salazar, a Convenção Quadro do Tabaco vai contribuir para uma melhor prática da legislação e fiscalização sobre o tabaco, aumentar o imposto e diminuir as doenças crónicas provocadas pelo tabaco no mundo.

“Com a CQT podemos salvar vidas e semear sementes de um futuro sustentável para todos, uma vez que o uso do tabaco mata mais de 7 milhões de pessoas por ano e seus custos económicos são enormes e totaliza mais de 1.4 triliões de dólares gastos no cuidado de saúde e perda de produtividade”, disse.

A representante adjunta do PNUD, Illaria Carnevali, ao usar da palavra começou por felicitar o Governo cabo-verdiano pela sua iniciativa de controlo do tabaco, visto que a agenda 20/30 do ODS reconhece a questão do tabaco como fundamental para o desenvolvimento.

“Quando pensamos no tabaco, pensamos nos efeitos nefastos que este tem na saúde das pessoas. A Convenção nos obriga a olhar os efeitos que o comércio e consumo do tabaco tem para os outros setores de desenvolvimento”, frisou augurando sucessos ao Governo na implementação da CQT.

Por sua vez, a chefe do Secretariado para a Convenção Quadro do Tabaco, Vera Luiza da Costa e Silva, regozijou-se com a atitude do Governo de Cabo Verde em cumprir com as obrigações do CQT, ou seja, dos artigos do tratado, que dá combate ao comércio ilícito, a publicidade, entre outros.

Na sua mensagem além de apelar pela união das igrejas e sociedade civil nesta luta, manifestou o total apoio do secretário da Convenção para Cabo Verde na implementação do CQT da OMS para o controlo do tabaco.

A Convenção-Quadro da OMS para Controle do Tabaco (CQCT/OMS) é o primeiro tratado internacional de saúde pública adotado pela Assembleia Mundial da Saúde em 21 de maio de 2003 e que entrou em vigor em 27 de fevereiro de 2005.

Até março de 2015, 180 países ratificaram sua adesão ao tratado que tem como objetivo proteger as gerações presentes e futuras das devastadoras consequências sanitárias, sociais, ambientais e econômicas geradas pelo consumo e pela exposição à fumaça do tabaco.

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