Após batalha legal, juiz autoriza médicos a desligar aparelhos de bebé com doença incurável

A Justiça britânica autorizou na terça-feira (11/04) os médicos do Hospital Great Ormond Street, em Londres, a desligarem os aparelhos que mantêm bebé de oito meses vivo.

Uma colaboradora da associação de acolhimento de crianças em perigo "MIMAR" cuida de um bebé na sede no Estoril, 29 de abril de 2015. A associação Mimar, no Estoril, acolheu, desde 2012, 52 crianças em perigo, metade tinha menos de um ano de idade e destas, 20 saíram diretamente da maternidade para a associação. Negligência grave, maus tratos, abandono e incapacidade parental são os principais motivos que fizeram com que estas crianças ficassem afastadas da família, muitas delas desde o nascimento. (ACOMPANHA TEXTO) TIAGO PETINGA/LUSA

créditos: Lusa

Charlie Gard sofre da síndrome de depleção mitocondrial, uma doença rara que afeta o ADN e provoca o enfraquecimento progressivo dos músculos.

A Divisão de Família da Suprema Corte do Reino Unido recusou esta terça-feira o pedido dos pais, Chris Gard e Connie Yates, de submeter o bebé a um tratamento experimental e autorizou os médicos a desligarem as máquinas que mantêm Charlie Gard, de oito meses, com vida.

Em tribunal, Chris Gard e Connie Yates pediram que o bebé fosse enviado para os Estados Unidos para um tratamento experimental nunca testado em seres humanos.

O juiz Nicholas Francis justificou a sua decisão com base em relatórios clínicos e opiniões médicas que consideraram "muito improvável" que algum tratamento pudesse salvar a criança.

O tribunal teve ainda em conta o diagnóstico clínico dos médicos do Hospital Great Ormond Street, que dava conta da existência de "danos irreversíveis no cérebro" da criança, relata a BBC.

Os pais de Charlie Gard levaram a cabo uma campanha de angariação de fundos no site GoFundMe que arrecadou 1,26 milhões de libras (cerca de 1,48 milhões de euros) para que o menino fosse encaminhado e tratado nos Estados Unidos.

 

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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