Cereais africanos utilizados para criar alimentos que previnem doenças crónicas

Uma equipa internacional na qual participam investigadoras portuguesas está a desenvolver novos produtos com base em cereais africanos para aumentar o consumo de fibra e prevenir patologias crónicas como as doenças cardiovasculares, a diabetes e o cancro.
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Estas patologias são "as principais causas de morte a nível mundial", disse à Lusa a investigadora da Universidade Católica do Porto, Elisabete Pinto, acrescentando que esta necessidade de aumentar o consumo de fibra "é comum às populações europeias e africanas", ambas estudadas neste projeto.

Designado "Fibre-Pro", pretende "avaliar a inadequação no consumo de fibra nos países africanos", verificar a mesma informação "relativa aos países europeus envolvidos" e "desenvolver produtos que suprimam" esta situação, melhorando assim "os índices nutricionais da população" e "fortalecendo a economia local", explicou a especialista.

A investigação, que conta com quatro elementos da Católica do Porto, e resulta de uma parceria entre Portugal, Finlândia, Burkina Faso e Quénia, visa criar novos produtos, à base de cereais indígenas africanos, utilizando processos de fermentação que mimetizem os seus processos tradicionais.

Sem glúten

"Pelo facto de estes cereais serem isentos de glúten", os produtos que deles derivam "constituem uma alternativa alimentar para indivíduos intolerantes" a esta substância, referiu.

De acordo com Elisabete Pinto, a inovação do projeto reside na elaboração de produtos a partir de cereais indígenas africanos, cuja sua fermentação "é um verdadeiro desafio tecnológico". Por outro lado, como são usados cereais integrais, "as suas características organolépticas (sabor e textura, por exemplo) nem sempre são as melhores", razões que levam a que a equipa faça várias tentativas para encontrar os "melhores produtos", "diferentes do ponto de vista sensorial".

Dessa sinergia, segunda indica, surge, para o mercado europeu, a possibilidade de ter disponível produtos que constituem novas experiências sensoriais, enquanto para o mercado africano, consegue-se criar produtos usando as suas próprias matérias-primas.

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