Fármaco experimental mostra ação impressionante contra Alzheimer

Uma nova droga experimental removeu a acumulação de proteínas no cérebro de pessoas com Doença de Alzheimer num estádio inicial e retardou o seu processo de declínio mental, segundo um estudo publicado na revista científica Nature nesta quarta-feira (31/08).
créditos: AFP

Os resultados aumentam esperanças de que um tratamento para a doença, que afeta a memória e a independência, esteja finalmente ao alcance da medicina. Especialistas pediram, porém, cautela com a interpretação das conclusões do estudo.

A droga, a aducanumab, é apenas o último anticorpo a mostrar resultados promissores em ensaios clínicos iniciais, de Fase I, disseram. Anteriormente, outras substâncias aprovadas na primeira fase acabaram por decepcionar nos testes decisivos sobre a sua eficácia, de Fase III.

"Embora o resultado seja potencialmente animador, é importante moderar expectativas com cautela considerável", disse Robert Howard, professor de psiquiatria da Universidade College London. "Será prematuro concluir que isto representará um tratamento efetivo para a doença de Alzheimer", acrescentou.

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Investigadores dos Estados Unidos e da Suíça testaram a aducanumab, desenvolvida pela empresa de biotecnologia Biogen, em 165 pessoas com Alzheimer num estádio inicial durante um ano.

Alguns pacientes receberam injeções mensais do anticorpo e outros tomaram um placebo.

Nos cérebros dos pacientes que receberam a droga, houve uma "eliminação quase completa" das chamadas placas amiloides, disseram os investigadores.

Amiloides são proteínas aderentes que se agrupam em depósitos no cérebro, bloqueando os neurónios, um dos mecanismos suspeitos de causar a doença de Alzheimer.

"O efeito do anticorpo é impressionante", disse Roger Nitsch, professor no Instituto de Medicina Regenerativa da Universidade de Zurique e coautor do estudo.

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