Especialistas lamentam que demências não recebam a merecida atenção

Especialistas portugueses e espanhóis partilharam hoje algumas das principais dificuldades no combate às demências, nomeadamente no diagnóstico e apoio a doentes e cuidadores, lamentando que estas doenças não mereçam a devida atenção.

Na primeira sessão da cimeira internacional Alzheimer Global Summit, que decorre até sexta-feira na Fundação Champalimaud, em Lisboa, coorganizada pela Fundação Rainha Sofia, de Espanha, o presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental, António Leuschner, começou por lamentar que a demência, que classificou de “um dos problemas maiores”, não mereça a atenção que deveria. “Os que sentem os sintomas, ou os que têm familiares com a doença, são os que estão hoje mais sensibilizados para a doença”, afirmou.

O especialista em psiquiatria referiu que existe hoje “uma luz ao fundo do túnel” em relação às demências, nomeadamente sobre o seu caminho “indefinidamente crescente”, o que se deve “a fatores preventivos ou retardadores do aparecimento dos sinais.

Para António Leuschner, as demências têm “implicações sócio sanitárias” que não devem ser ignoradas, tendo estas doenças deixado de ser há muito apenas um problema de saúde. Por esta razão, defendeu um incremento da aliança entre as pastas da saúde e da segurança social, para uma resposta mais eficaz.

Pessoas desprotegidas

Maria do Rosário Zincke dos Reis, que tem sido um dos principais rostos da divulgação da doença de Alzheimer em Portugal, na vertente da sociedade civil, traçou o diagnóstico das demências, começando por lamentar que estas não sejam ainda “uma prioridade nacional de saúde pública em Portugal”. Entre as várias faltas que encontrou, constam a ausência de uma campanha de sensibilização nacional, um plano nacional de apoio ou mais equipamento para as pessoas afetadas.

Segundo Maria do Rosário Zincke dos Reis, a informação sobre como lidar com a doença é escassa, nomeadamente no interior do país e nos meios mais rurais. “Ainda não há a figura do tutor nacional, pelo que as pessoas afetadas ficam desprotegidas.

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