Desafios com doença celíaca leva portuguesa a criar negócio de bolos crus em Manchester

Os desafios sentidos por sofrer de doença celíaca levaram a portuguesa Mónica Santos a mudar de vida profissional e a criar o seu próprio negócio de bolos sem glúten ou produtos lácteos em Chorley, nos arredores de Manchester.

Depois de vários anos a trabalhar como intérprete especializada na área de saúde, há dois anos abriu a Charged Berry, uma pequena pastelaria num centro comercial onde vende quase exclusivamente bolos ‘crus', confecionados sem irem ao forno, técnica que considera ser saudável para qualquer tipo de pessoa.

"A ênfase não é necessariamente o que os bolos não têm, mas o que têm. Como não vão ao forno, não perdem os nutrientes. Os produtos são densos em nutrientes, enzimas, vitaminas, minerais", explica à agência Lusa.

Começou a seguir esta dieta há cerca de 10 anos, quando foi diagnosticada com uma patologia intestinal crónica que inclui intolerância ao glúten e que se manifestava no cansaço e na dificuldade em digerir certos alimentos.

"Eu sou celíaca e, infelizmente, uma grandessíssima gulosa. Comer fora não é problema, mas quando chega às sobremesas é um grande problema porque só nos oferecem salada de fruta. Comecei a investigar. Felizmente com a Internet é muito fácil hoje em dia descobrir informação. Comecei a testar em mim, em casa, para mim e para a minha família. Depois a fazer para amigos e colegas de trabalho. O sucesso foi enorme", conta.

A decisão de "recomeçar do zero" está, aos poucos, a produzir resultados: Mónica Santos já fornece vários restaurantes da região que se mostraram sensíveis a esta questão.

Tem também um número crescente de clientes, "pessoas conscientes da saúde que procuram fontes de energia saudáveis, em vez de aditivos", descreve.

Alguns são funcionários do próprio centro comercial onde tem o seu negócio, a quem convenceu sobre os benefícios de sumos naturais e a trocar guloseimas por barras de energia e bolas de proteína.

"Aos poucos, comecei a conquistá-los. Tenho muito prazer em dizer que quase ninguém toma café de manhã", conta a lisboeta de 41 anos, satisfeita.

Julia Gidley, que gosta de fazer exercício e se preocupa em ter uma alimentação saudável, é uma das clientes habituais de Mónica Santos, cujo negócio já causou impacto nos hábitos de muitas pessoas.

"Atualmente existem muitas pessoas que querem comer e beber de forma saudável. Não existe mais nenhum sítio como estes para ir buscar comida. Os outros sítios só vendem sanduíches ou batatas fritas, enquanto tudo o que a Mónica faz é saudável e natural. É muito bom ter algo assim perto", diz à Lusa.

Mónica Santos, que se mudou para o Reino Unido há perto de 20 anos, onde vive com o marido e dois filhos, sente que "as peças de puzzle se encaixaram" quando criou um negócio que em que acredita.

"É claro que são muitas mais as horas de trabalho do que os resultados que obtemos, mas não trocava. Eu acredito que este tipo de cozinha é o futuro", garante.

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