Peixes zebra investigados para perceber influência da relação entre pares no ser humano

Cientistas portugueses descobriram nos peixes zebra, uma espécie ornamental muito usada em investigação científica, um modelo para investigar a importância do suporte social para o indivíduo.

Os peixes zebra demonstram uma resposta melhor a situações adversas quando sentem o apoio do cardume em que se integram, uma característica evolutiva partilhada com os seres humanos, apesar de serem espécies que divergiram e evoluiram de forma diferente durante milhões de anos.

“Há fatores sociais que influenciam a saúde, para os quais não estamos muito alerta”, afirmou à agência Lusa o investigador Rui Oliveira, do Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, do Instituto Gulbenkian de Ciência e da Fundação Champalimaud.

Para o estudo, cujas conclusões são publicadas hoje na revista Scientific Reports, os investigadores definiram primeiro o que é o medo para um peixe e como se demonstra: primeiro, a “natação rápida e em ziguezague” e depois ficar como que “gelado de medo” no fundo do aquário. Quando estão na presença de uma substância que os outros peixes do cardume emitem, um “sinal de alarme de presença de um predador”, os peixes alvo da experiência demonstraram menos sinais de medo.

Não precisaram de ver o cardume nem o seu tamanho tem importância para reforçar o sentido de segurança dos peixes. Esta característica dos peixes zebra permite definir a espécie como modelo para estudar a importância do suporte social e a bagagem genética e neural que está por detrás disso.

Na investigação liderada por Rui Oliveira também se descobriu que a hormona oxitocina, que nos seres humanos condiciona as ligações emocionais e a sociabilidade, também tem um papel importante na resposta dos peixes a estímulos sociais. Quando se “corta” a atividade dos neurónios que respondem à oxitocina, os peixes deixam de ligar tanto à falta do cardume.

A primeira autora do estudo, Ana Faustino, afirmou que o comportamento do peixe zebra “não tem a complexidade do suporte social verificado em humanos” mas a investigação permitirá “explorar em profundidade os mecanismos neurais envolvidos neste comportamento social tão central para o bem-estar e saúde mental humana”.

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artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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