Cabo Verde com sinal “alarmante” de aumento do consumo de tabaco

Especialista afirma que a taxa de prevalência ronda os 17,4 (%).

Ponto focal da Convenção Quadro para o Controlo do Tabaco

créditos: Inforpress

O ponto focal da Convenção Quadro para o Controlo do Tabaco em Cabo Verde considerou de “alarmante” o consumo no país e justificou a sua preocupação com a taxa de prevalência que ronda os 17,4 (%).

José Teixeira fez esta consideração em entrevista à Inforpress, no âmbito do Dia Mundial Sem Tabaco, que se celebra quarta-feira, 31, este ano sob o lema “O tabaco é uma ameaça para o desenvolvimento” visando alertar os governantes para os danos ao desenvolvimento causados pela produção de fumo.

Segundo José Teixeira, a maior preocupação vai ao encontro do acréscimo anual de venda que atinge os 4% e o início do consumo cada vez mais cedo no país.

Estudos realizados em 2013, informa, indicam que 7% ocorre em crianças com idade entre 06 a 12 anos, e 53% em jovens com idade inferiores ou igual a 18 anos.

“Em termos de consumo Santo Antão a nível do arquipélago é a ilha onde mais se fuma, com uma taxa que ronda os 30,1%. Acreditamos que esta taxa se deve ao facto de na ilha existirem muitos fumadores de cachimbo, que também é tabaco”, disse.

Referindo ao lema deste ano, o técnico da Comissão de Coordenação ao Álcool e de Outras Drogas (CCAD), lembrou que o fumo do tabaco para além de afetar a saúde de todos, destrui a economia da família e do país, provocando abrandamento do desenvolvimento.

Quanto a correlação tabaco/destruição da economia de um país, José Teixeira explica com os custos que o setor da saúde suporta para trabalhar as doenças relacionadas com o consumo e os gastos para minimizar os impactos socio ambientais. “Na economia o tabaco não só facilita os comércios ilícitos, como afeta as politicas fiscais.

O país tem um quadro básico a nível de medidas e legislativos, mas esse trabalho nos parece insuficiente frente ao quadro epidemiológico que se evidência agora”, disse.

Assim, aponta a necessidade de se rever a lei nº119/IV/95 que define as condições de dissuasão e de restrição do uso do tabaco no espaço público, cumprindo a Convenção Quadro da OMS para o controlo do Tabaco que foi ratificada por Cabo Verde em 2005.

Nesta lógica, o ponto focal da Convenção Quadro da OMS para o controlo do Tabaco em Cabo Verde, é de opinião que melhorais na legislação devem ser efetuadas para o reforço de medidas de preço e de imposto, para restrição do acesso aos jovens, eliminação do contrabando e venda a retalho, entre outros.

O tabaco possui muitas substâncias responsáveis por doenças a nível do sistema nervoso, do nariz, da boca, do cérebro, dos pulmões, do aparelho reprodutor, laringe, coração, aparelho digestivo, bexiga e rins.

Segundo a OMS a epidemia global do tabaco mata quase 6 milhões de pessoas por ano, das quais mais de 600 mil são não fumantes, mas vítimas do fumo passivo.

Sem alterações de cenário, avisa OMS, estão previstas mais de 8 milhões de mortes por ano a partir de 2030, sendo que mais de 80% dessas mortes evitáveis atingirão pessoas que vivem em países de baixa e média renda.

Neste âmbito, a campanha este ano dão visibilidade ao tabagismo como um entrave para o desenvolvimento sustentável e incentiva os países a incluírem o controlo do tabagismo nas suas respostas nacionais alinhadas à Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável.

O Dia Mundial sem Tabaco, assinalado a 31 de maio, foi promovido pela Organização Mundial da Saúde visando aumentar a consciência dos danos causados à saúde das pessoas pelo comércio ilícito do tabaco, e mostrar como os ganhos em saúde e os programas e políticas de controlo do tabagismo são prejudicadas pelo comércio ilícito dos produtos do tabaco.

Comentários