A história da mulher que doou pele à irmã gémea que sofria de cancro

Marian Field percebeu que tinha um "caroço" junto à coluna em 2011. Na altura, Mary Jane espreitou as costas da irmã e disse-lhe: "tens de ser vista por um médico".
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"Parecia-nos um quisto, mas estávamos erradas", começa por contar Mary Jane, hoje com 66 anos.

Marian e Mary Jane Fields são duas gémeas do Missouri, nos Estados Unidos. Vivem juntas desde sempre e agora estão ainda mais próximas porque dividem a mesma pele.

Marian Fields sofreu de um tipo agressivo e raro de cancro de pele que a deixou com feridas profundas na zona da coluna, depois de ter sido submetida a várias cirurgias e tratamentos oncológicos.

Alguns médicos já tinha desistido de operar o "buraco" nas costas de Marian, até que "houve um momento de hesitação quando a opção de doar pele e tecidos se tornou uma possibilidade", recorda Mary Jane. "Eu tinha o que ela precisava. Somos dois corpos com uma alma. Ela é a minha outra metade", comenta em declarações à BBC.

Jesse Selber, um cirurgião plástico do Centro de Cancro MD Anderson, da Universidade do Texas, autor de um dos primeiros transplante de couro cabeludo da história, disse que a cirurgia foi "incrivelmente desafiadora e complexa".

Ele e a sua equipa de cinco cirurgiões plásticos retiraram pele, tecido e vasos sanguíneos do abdómen de Mary Jane e transplantaram-nos para as costas de Marian, conectando centenas de veias através de um microscópio cirúrgico numa operação que durou 14 horas. O risco de rejeição do material genético era baixo, devido ao facto das irmãs serem gémeas monozigóticas: ou seja partilham o mesmo genoma e ADN.

Antes da cirurgia, Marian tinha um buraco nas costas que media 55 cm por 22 cm, o que fez da cirurgia um dos maiores transplante de tecidos já registado. Marian, que não conseguia sentar-se ou ficar de pé mais do que alguns segundos, recuperou a mobilidade e diz ter hoje uma vida quase normal.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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