Os alimentos biológicos são mesmo os mais saudáveis?

Sim, revela uma análise a vários estudos do Centro de Serviços de Investigação do Parlamento Europeu. Ao optar por estes produtos, estará a ingerir menos substâncias prejudiciais à sua saúde, como pesticidas e antibióticos.

Quem opta pelo consumo de alimentos biológicos tem um estilo de vida mais sustentável. Além de estarem na origem, por exemplo, de uma menor emissão de gases com efeito de estufa, mais saudável, estes consumidores ingerem maiores quantidades de fruta, vegetais e cereais integrais. Têm também preocupações éticas, como o bem-estar animal e de segurança alimentar.

O perfil deste tipo de consumidor é traçado no relatório Human Health Implications of Organic Food and Organic Agriculture que resultou da análise, por vários investigadores europeus, de estudos na área da alimentação e da agricultura biológica e o seu impacto na saúde. A investigação foi dinamizada pelo Centro de Serviços de Investigação do Parlamento Europeu.

Os especialistas deste organismo internacional destacam vários efeitos benéficos que a preferência por este modo de produção pode ter na nossa saúde, como uma menor prevalência de doenças crónicas, como também sugerem várias investigações internacionais, alertando contudo para a necessidade de se realizarem mais estudos na área, comparando a agricultura biológica à intensiva.

O mesmo valor nutricional

Segundo o relatório, «no que toca à composição e valor nutricional, as diferenças entre os alimentos produzidos através de agricultura biológica e de agricultura comum são praticamente inexistentes». Nos vários estudos e análises feitos, a quantidade de vitaminas e minerais (cálcio, zinco, magnésio, ferro e cobre) é sensivelmente a mesma, defendem os especialistas.

Nas plantas biológicas o teor de polifenóis, substâncias antioxidantes, é ligeiramente mais elevado (cerca de 20%) e, embora estes componentes não sejam essenciais aos humanos, tal como é referido no relatório, «têm potenciais benefícios para a nossa saúde, desempenhando um papel importante na prevenção de doenças não transmissíveis».

«Como as cardiovasculares, as neurodegenerativas e o cancro», pode ainda ler-se. Um outro estudo referido neste relatório demonstrou que a capacidade antioxidante dos vegetais biológicos é cerca de 17% superior aos comuns.

Maior teor de ómega-3

O tipo de alimentação dos animais influencia o conteúdo nutricional dos produtos que estes nos fornecem. De acordo com o relatório europeu, o principal alimento dos animais criados sob um regime biológico é a erva, rica em ómega-3, o que faz com que a carne, leite e ovos destes animais tenham um maior teor deste ácido gordo em comparação com os de produção convencional.

No caso do leite, este é 50% superior, asseguram os especialistas que elaboraram o documento. Embora este fator seja uma mais-valia do ponto de vista nutricional, «estes alimentos representam apenas uma pequena porção em termos de ingestão de ómega-3», esclarece ainda o relatório.

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