Sal: ICCA atende cerca de 500 casos de violação dos direitos da criança por ano

A delegada do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), na ilha do Sal, manifesta-se preocupada com o número de casos de violação dos direitos da criança, que ronda os 500 casos por ano.

Delegada do ICCA na ilha do Sal

créditos: Inforpress

Segundo Queila Soares, numa entrevista à Inforpress, a situação deve-se, particularmente, ao crescimento da ilha do Sal e à explosão demográfica a que vem assistindo, acolhendo pessoas de diferentes quadrantes do globo e do arquipélago, o que a torna numa região cosmopolita, com pessoas de cultura, crença e costumes díspares.

“O ICCA na ilha do Sal atende de tudo um pouco no que diz respeito à violação dos direitos da criança, situação que preocupa já que o número de casos atendidos, entre emergência infantil e serviço social, ronda os 500 casos por ano.

Consideramos essa cifra elevada, e não obstante os parcos recursos colocados à disposição, o ICCA não tem poupado esforços, no sentido desempenhar o seu papel na proteção dos direitos da criança”, frisou.

Neste contexto, considerando que o ICCA foi uma instituição “muito pertinente” criada em Cabo Verde, Queila Soares disse que nesse percurso dos seus 35 anos de existência, completados no passado mês de Setembro, há necessidade de acompanhar esse desenvolvimento, munindo-a de recursos para que possa conseguir dar resposta às problemáticas.

“A violação dos direitos da criança é uma coisa muito triste e grave. E a criação do ICCA veio, de facto, ajudar a minimizar, a pôr cobro às mais diversas situações que se apresentam. É uma instituição muito respeitada, mas a falta de recursos humanos e financeiros acaba por condicionar a sua atuação, daí a precisão de mais meios”, mencionou a responsável.

Queila Soares aponta ainda que outras inquietações prendem-se com o aumento de situações de comportamento de risco, menores envolvidos no consumo de droga, álcool… e o abandono escolar.

Perante o cenário, a responsável da infância na ilha, defende a necessidade de se apostar na criação de equipamentos para dar resposta a situações de emergência, maus-tratos, negligência mais agravada que necessitam de uma intervenção mais complexa, evitando assim “manobras e alternativas” junto das famílias de acolhimento.

“Os desafios são muitos, dado a esse crescimento da ilha, daí a necessidade de uma maior intervenção”, disse Queila Soares apelando mais uma vez à comunidade no sentido de ser mais interventiva, reforçar o seu papel, fazendo denúncias de situações de violação dos direitos das crianças, com vista a uma sociedade mais tranquila e saudável.

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