Fim do casamento precoce na África Central e Ocidental pode demorar mais de 100 anos

O fim do casamento precoce na África Central e Ocidental demorará mais de 100 anos a ser conseguido a não ser que se acelerem intensivamente as taxas atuais de redução dessa prática, segundo um estudo da UNICEF.

Campanha da UNICEF

“Mantendo-se as taxas atuais, serão precisos mais de 100 anos para eliminar a prática do casamento precoce nesta região – como pode isto ser aceitável?”, questionou, em comunicado, a Diretora Adjunta do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Fatoumata Ndiaye.

A África Central e a Ocidental são as zonas geográficas onde existe maior risco de ocorrência de casamentos precoces, uma vez que aí se situam seis dos 10 países com maior incidência desta prática do mundo.

Nessas regiões, quatro em cada 10 raparigas casaram antes dos 18 anos e do total de meninas submetidas a essa prática, um terço foi forçado a fazê-lo antes dos 15 anos.

Os dados são do estudo "Alcançar um futuro sem casamento precoce: Enfoque na África Central e Ocidental", divulgado no passado dia 25 de outubro.

O Chade é o país da África Central e Ocidental com maior percentagem (30%) de casamentos em crianças com menos de 15 anos.

Já o Níger é o país dessas duas regiões onde se realizam mais casamentos antes dos 18 anos, com uma percentagem de 76%.

Em países como Angola, Burkina Faso e Cabo Verde não tem havido uma redução da prática nos últimos 25 anos e na República Centro-Africana os valores têm vindo a aumentar.

Já nas regiões da África Central e Ocidental, a percentagem de mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 24 anos e que casaram antes dos 18 anos era de 50% em 1990 e em 2015 rondava os 39%.

Caso se mantenham iguais os valores de descida dos casamentos precoces, em 2030, uma em cada três meninas menores terá casado e em 2050, essa relação será de uma para quatro.

A UNICEF aponta como desafios ao combate do casamento precoce nessas regiões a incidência alta da prática e a percentagem de declínio baixa e ainda o facto da população feminina estar a aumentar.

De acordo com o relatório, para que em 2030 não existam casamentos precoces na África Central e na Ocidental a taxa anual de redução deveria estar nos 24% e, nos últimos 15 anos, é de apenas 0,8%.

A solução para acabar com a prática passa pela mudança de comportamentos e mentalidades dentro das famílias e também nas comunidades, bem como a existência de leis e políticas que protejam e promovam os direitos das mulheres, indica o relatório.

A formação escolar é também uma forma de combater a prática, uma vez que quanto mais tempo as raparigas permanecerem na escola, mais competências e conhecimentos desenvolvem e tornam-se mais confiantes para tomar decisões sobre si próprias.

Fatoumata Ndiaye acrescenta que manter as raparigas na escola deveria ser a principal prioridade, “não apenas porque as capacita para a vida, mas porque também ajuda a retirar as suas famílias, as suas comunidades e os seus países da pobreza”.

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